Sobre

CONHECENDO O GRUPO DE CAPOEIRA LIBERDADE

O grupo foi fundado em 1985, pelo Sr. Júlio César Martins Cocolichio, conhecido popularmente nas rodas de capoeira do Sul,  como Mestre Grilo, juntamente com alguns alunos. Eu estava entre estes alunos. O mais importante é que o grupo foi criado principalmente para se dar uma valorização maior a todos os membros, independentemente da sua graduação, procurando aproximar estes alunos não somente nos momentos de rodas, mas também nas mais variadas situações que envolvem a manutenção de um grupo, fossem elas sociais, administrativas ou outras que abrangem o dia a dia de todos aqueles que tem como bandeira a defesa e promoção da capoeira. Conseguiu-se com esta postura dar ao grupo um sentimento de que todos os seus integrantes faziam parte de uma grande família. Em razão disso nada mais sugestivo do que o nome Liberdade, proposto e aprovado por todos. Tomada esta postura por uma construção democrática, estamos  há 26 anos, como Grupo de Capoeira Liberdade, procurando contribuir da melhor forma possível, através do desenvolvimento de um trabalho de qualidade. Vivenciamos momentos onde fomos com certeza um dos maiores grupos de capoeira do Rio Grande do Sul, mas crescemos o corpo, e a cabeça não conseguiu acompanhar, existiam vários mestres e administrar as características de personalidade de cada um não foi fácil. Com o decorrer do tempo nossa árvore genealógica foi ficando mais retilínea o que facilitou a administração. Vejamos, sou mestre do Mestrando Birinha, e fui aluno de Mestre Grilo, que foi aluno de Mestre Índio, que foi aluno de Mestre Pelé da Bomba, que foi aluno de Bugalho e este era aluno de Mestre Waldemar. Paramos em Waldemar pois este relata ter tido vários mestres que contribuíram para sua formação capoeiristica (Telabi, Ricardo da Ilha de Maré, Siri de Mangue e Neco Canário Pardo), retrato isto para que se perceba que nossa história está inserida tradicionalmente dentro da capoeira, tem uma base forte. Hoje passamos por um momento de reconstrução e temos a certeza que sairemos fortalecidos após terminado este processo. Desenvolvemos trabalho nas cidades de Caxias do Sul, Gramado, Canela, Rio Grande, Uruguaiana e possuímos intercâmbio com alguns países. Todas as pessoas que participaram de nossos eventos temos a certeza que podem ratificar este nosso posicionamento de que somos um grupo familiar e que respeita os seus integrantes assim como a todos os seus convidados, valorizando a individualidade de cada um. 

Mestre Chocolate, Caxias do Sul -RS - 2011

                                                      SISTEMA DE GRADUAÇÕES


                                              A HISTÓRIA POR TRÁS DAS CORDAS
Aluno iniciante:

Corda Crua: Esta corda o aluno adquire assim que entrar na academia. Tem o objetivo de suprimir qualquer descriminação que possa existir com quem não tenha corda, para que ele não se sinta diferenciado dos demais atuando sua ansiedade para adquirir a primeira corda. Contribuindo esteticamente para a apresentação do grupo.

Corda crua e azul claro: Esta corda representa a captura do negro em suas terras de origem, representa o início da escravidão. Devendo o aluno conhecer quais os princípios locais onde os negros eram embarcados nos navios, e quais as principais nações capturadas. Representa o início da travessia para o Brasil. 

Corda azul claro: Esta corda representa a captura do negro do continente Africano para nosso país, pelo mar. Embarcados na África, nos porões dos navios, muitos morriam devido a má alimentação, e pelas doenças. Esses navios eram denominados de "navio negreiro" ou "tumbeiro", devido ao grande número de escravos que morriam durante a viagem. As doenças mais conhecidas eram o sarampo, varíola e o banzo. 

Corda azul claro e azul marinho: Esta corda tem a intenção de representar o sofrimento dos negros nos navios negreiros; sendo o tráfico de escravos proibido, muitas embarcações, passando por dificuldade em alto mar, jogavam suas "mercadorias" no fundo do oceano, pois assim poderiam racionar melhor os alimentos e água. Recordamos assim aqueles que sem poder se defender, morreram tratados como excesso de carga.

Aluno avançado:

Corda azul marinho: Esta corda é o seguimento das anteriores, relembrando além do sofrimento, as tempestades enfrentadas pelas embarcações. Muitas delas afundando ou perdendo-se durante meses em alto mar, alguns desses navios nunca chegaram ao seu destino, dando continuidade ao processo de escravidão, pois os proprietários destas embarcações, sentidos lesados financeiramente, aventuravam novamente numa tentativa interminável por lucro fácil. 

Corda azul marinho e cinza: Esta corda representa a chegada do negro no continente americano (Brasil) , seu primeiro contato com a terra desconhecida, em suma o desembarque. Muitas famílias se desestruturavam pelas doenças ocorridas durante a viagem, ou pela separação que os traficantes efetuavam; os portos do Brasil que mais recebiam negros foram de Salvador, Recife e Rio de Janeiro.